Meio ambiente

O que é solo?

O solo é a camada superficial da Terra formada a partir dos processos de intemperismo e pedogênese


Imagem de Giulia Bertelli em Unsplash

Solo é todo material inconsolidado formado na superfície dos continentes pela ação do intemperismo e pedogênese, e que é capaz de suportar a vida, seja ela em sua forma vegetal ou animal. Em função das condições ambientais, os solos podem apresentar características e propriedades físicas, químicas e físico-químicas diferentes.

Assim, os solos podem ser argilosos, arenosos, vermelhos, amarelos ou cinza esbranquiçados. Eles ainda podem ser ricos ou pobres em matéria orgânica, e espessos (algumas dezenas de metros) ou rasos (alguns poucos centímetros), apresentando homogeneidade ou diferenças facilmente percebidas horizontalmente.

Intemperismo e pedogênese

O intemperismo é o conjunto de modificações de ordem física e química que as rochas sofrem ao aflorar na superfície da Terra. A rocha alterada e o solo, que são os produtos desse processo, também estão sujeitos a erosão, transporte e sedimentação, que acabam levando à denudação continental (termo geológico que indica a remoção da superfície de uma região por efeito erosivo), com consequente aplainamento do relevo.

Já a pedogênese, denominação referente à formação do solo, ocorre quando as modificações causadas nas rochas pelo intemperismo, além de serem químicas e mineralógicas, tornam-se sobretudo estruturais, com importante reorganização e transferência dos minerais formadores do solo.

Perfil de solo

O intemperismo e a pedogênese levam à criação de um perfil de alteração, também chamado de perfil de solo. Ele é estruturado verticalmente a partir da rocha-mãe na base, sobre a qual formam-se o saprolito e o solum (horizontes de transição entre a rocha e o solo), que constituem o manto de alteração ou regolito. Os materiais do perfil vão se diferenciando com relação à rocha parental em termos de composição, estruturas e texturas quanto mais afastados se encontram dela.

Sendo dependentes do clima e do relevo, o intemperismo e a pedogênese ocorrem de maneira distinta nos diversos compartimentos morfoclimáticos do globo, levando à formação de perfis de solo compostos de horizontes de estruturas e composições diferenciadas entre si.

Os horizontes são divididos em:

Os horizontes mais superficiais do perfil, por conterem quantidades maiores de matéria orgânica, apresentam uma tonalidade mais escura, enquanto os horizontes inferiores, mais ricos em argilominerais e oxi-hidróxidos de ferro e de alumínio, são mais claros (em regiões temperadas) ou mais avermelhado-amarelados (em regiões tropicais).

Classificação dos solos

Os solos podem ser classificados em três grupos principais conforme à sua formação: solos residuais, solos sedimentares e solos orgânicos.

Os solos residuais são aqueles que permanecem no local da rocha de origem (rocha-mãe), observando-se uma gradual transição da superfície até a rocha. Para que ocorram os solos residuais, é necessário que a velocidade de decomposição da rocha seja maior que a velocidade de remoção pelos agentes externos. Estando os solos residuais apresentados em horizontes (camadas) com graus de intemperismos decrescentes, podem-se identificar as seguintes camadas: solo residual maduro, saprolito e a rocha alterada.

Já os solos sedimentares ou transportados são os que sofrem a ação de agentes transportadores, podendo ser aluvionares, eólicos ou glaciares. Por fim, os solos orgânicos são aqueles originados da decomposição e posterior apodrecimento de matérias orgânicas, sejam estas de natureza vegetal ou animal. Em algumas formações de solos orgânicos, ocorre uma importante concentração de folhas e caules em processo de decomposição, formando as turfas (matéria orgânica combustível).

Os solos também podem ser classificados de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS). Ele se propõe a ser um sistema hierárquico de classificação e consolidar a sistematização taxonômica que expresse o conhecimento para a discriminação de classes de solos identificadas no País. Sendo assim, esse sistema divide os solos em treze categorias distintas:

  1. Argissolos
  2. Cambissolos
  3. Chernossolos
  4. Espodossolos
  5. Gleissolos
  6. Latossolos
  7. Luvissolos
  8. Neossolos
  9. Notssolos
  10. Organossolos
  11. Planossolos
  12. Plintossolos
  13. Vertissolos

No Brasil, há o predomínio de três tipos de solos, os latossolos, argissolos e neossolos, que abrangem cerca de 70% do território nacional. Os latossolos e argissolos ocupam aproximadamente 58% da área e são solos mais profundos, altamente intemperizados, ácidos e de baixa fertilidade natural.

Em certos casos, também ocorrem solos de média a alta fertilidade, em geral pouco profundos em decorrência de seu baixo grau de intemperismo. Estes se enquadram principalmente nas classes dos neossolos, luvissolos, planossolos, nitossolos, chernossolos e cambissolos.

Importância do solo

O solo é o recurso mais importante de um país, já que ele fornece os recursos necessários para alimentar suas populações. No entanto, diversas atividades antrópicas têm provocado erosão e contaminação do solo, gerando diversos prejuízos. Por isso, é importante que hajam políticas públicas que preservem esse recurso e planejem seu uso consciente e sustentável.


Fontes: Decifrando a Terra, Origem e formação dos solos e Formação e Características dos Solos para o Entendimento de sua Importância Agrícola e Ambiental

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